O Pentecostes e o Sinai

Pr. Felipe MoraisTemas Bíblicos, Teologia7 Comments

O PENTECOSTES E O SINAI


AGOSTINHO DE HIPONA – A TRINDADE

LIVRO SEGUNDO - CAPÍTULO 15

26. Pelo que diz respeito ao assunto que agora desenvolvemos, com relação a todos aqueles acontecimentos que se mostraram de modo tão terrível aos sentidos dos mortais, ignoro se era o Pai, o Filho ou Espírito Santo quem falava. Contudo, se é permitido conjeturar sem temerária afirmação, mas com humildade e hesitação, e se se pode supor ter sido uma pessoa da Trindade, daria preferência ao Espírito Santo.

Pois, quando a Lei foi entregue em tábuas de pedra, a Escritura diz que foi escrita pelo dedo de Deus (Ex 31.18);

ora, com essa expressão sabemos que o Evangelho designa o Espírito Santo (Lc 11.20).

Além do mais, cinquenta dias transcorreram do sacrifício do cordeiro e da celebração da Páscoa até o dia em que esses fatos começaram a acontecer no monte Sinai;

assim como cinquenta dias se passaram da paixão do Senhor e de sua ressurreição até o dia em que veio o Espírito Santo prometido pelo Filho de Deus.

E na sua vinda, narrada nos Atos dos Apóstolos, ele apareceu em línguas de fogo que se distribuíram e foram pousar sobre cada um deles (At 2.1-4).

Este acontecimento se assemelha ao do Êxodo, onde está escrito: Todo o monte Sinai fumegava porque Deus tinha descido sobre ele no meio do fogo.

E um pouco depois: O aspecto da majestade do Senhor, como fogo ardente sobre o cimo do monte na presença dos filhos de Israel.

Talvez tudo isso aconteceu porque nem o Pai nem o Filho poderiam ali se apresentar sem o Espírito Santo, por quem convinha ser escrita a Lei.

Sabemos, no entanto, que Deus apareceu não na sua essência, que permanece invisível e imutável, mas por meio da aparência de uma criatura. Com a minha capacidade, porém, não chego a perceber por meio de algum sinal, qual das pessoas da Trindade apareceu.

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AGOSTINHO DE HIPONA

LIVRO: A GRAÇA (I) - CAPÍTULO XVII

Comparação entre a Lei Antiga e a da Nova Aliança

29. Nesta admirável coincidência de datas há, porém, uma grande diferença.

No Sinai, o povo atemorizado é proibido de se aproximar do lugar da entrega da Lei;

no Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre aqueles que se tinham reunido esperando o cumprimento da promessa de sua vinda.

No Sinai, o dedo de Deus agiu em tábuas de pedra;

no Pentecostes, no coração das pessoas.

No Sinai, a Lei foi dada exteriormente para que os infiéis se atemorizassem;

no Pentecostes foi dada interiormente, infundindo a justificação.

De fato, conforme diz o Apóstolo, os preceitos:

“Não cometerás adultério”, “Não matarás”, “Não cobiçarás”, escritos nas tábuas de pedra, se resumem nesta sentença: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

A caridade não pratica o mal contra o próximo.

Portanto, a caridade é a plenitude da Lei (Rm 13.9-10). Portanto, a lei de Deus é a caridade. O desejo da carne não se submete à lei de Deus, nem o pode (Rm 8.7), mas como nas tábuas da Lei são gravadas as obras da caridade para encher de terror o desejo da carne, a lei é a das obras e letra que mata o transgressor (2Co 3.6).

Quando, porém, a caridade se difunde no coração dos crentes, a lei é a da fé e Espírito que comunica a vida ao que ama.

30. Adverte agora como esta distinção concorda com as palavras apostólicas que um pouco antes mencionei discorrendo sobre outro assunto e que diferi para serem comentadas com mais profundidade.

Evidentemente, sois uma carta de Cristo, entregue ao nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações (2Cor 3.3).

O Apóstolo demonstrou com esta sentença que a Lei antiga foi escrita fora do homem, para atemorizá-lo exteriormente,

e a nova foi gravada no próprio homem para justificá-lo interiormente.

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*Comentário nosso:

Agostinho demonstra enorme capacidade interpretativa em relação ao texto bíblico e seu contexto imediato como também domínio geral das Escrituras. Exemplo disso é a ligação perfeita entre as expressões “Espírito Santo” e “Dedo de Deus” com se tratando do mesmo agente divino.

Essa ligação fica clara na observação dos textos paralelos nos Evangelhos de Mateus e Lucas:

Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus. - Mateus 12:28

Mas, se eu expulso os demônios pelo Dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus. - Lucas 11:20

O Espírito de Santo é o Dedo de Deus
Assim como Jesus Cristo é o Braço do Senhor (Isaías 53.1)

7 Comments on “O Pentecostes e o Sinai”

  1. Ola se quiser pode mandar estudos pelo meu email. Ficarei.muito agradecido pois levo o estudo. De vcs para a denominação a qual faço parte… Inclusive estamo estudando apocalipse simplificado. Vindo de vcs. Obrigado Deus os abençoe o ministério de vcs. Aleluias.

  2. Este agustinho não é católico ? mais conhecido como são agustinho, este seria então um ensino católico ?

    1. Na verdade Agostinho de Hipona foi um cristão que viveu entre o 4º e 5º século e é respeitado tanto pelos Evangélicos(Protestantes) como Católicos, Ortodoxos e demais cristãos em geral pois ele exerceu uma importante atividade na Igreja cristã como Teólogo onde desenvolveu muito os temas que toda a Igreja no mundo inteiro tem por fundamental como a doutrina da Salvação e Graça divina, sobre o Pecado Original e sobre Deus. É obvio, que como qualquer pessoa, podemos discordar de um ponto ou outro, porém isso não significa que devemos desprezar suas importantes contribuições. Por exemplo: Onde está o erro no trecho que publicamos acima? Percebe que não é possível condenar sequer 1(um) linha do que ele ensinou nesse trecho? Então, precisamos ter maturidade para saber lidar com o que dizem sobre alguém e o que de fato aconteceu. Vamos em breve fazer uma série sobre a História da Igreja e as Heresias surgidas ao longo dos séculos. Espero que acompanhe e seja bênção para você e outros irmãos. Muito obrigado pelo seu comentário. Deus te abençoe!

  3. Muito legal este estudo. muito bom ver as relações entre os assuntos.

  4. Importantíssimo trechos e estudo aprofundado, pois o conhecimento superficial nos faz errar e muito, levando para o lado que por ventura possa passar como um leve achismo de conhecimento sobre o nossos pensamentos, que acaba saindo pela boca, o que envenena o homem é o faz perder bençãos sobre sua vida. Não podemos jamais questionar o que entra para nos agregar conhecimento relacionado a palavra e escrituras.
    Que tudo seja somativa para entendimento mais claro, porque entender demora e ter conhecimento dedicação.APDSJ

  5. Realmente preciosa a ligação e comparação entre o dedo de Deus e o Espírito Santo. Penso no dedo como sendo a parte do braço do SENHOR que executa as tarefas minuciosas.

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