CRISTOLOGIA – A Doutrina da Pessoa de Cristo

Pr. Felipe MoraisTeologia6 Comments

CRISTOLOGIA – IMPORTÂNCIA E DEFINIÇÃO

Teologia Sistemática I – Cristologia

OBJETIVOS:

• Construir no aluno embasamento para entender a historicidade da Cristologia.

• Despertar no aluno estudo acurado sobre: Cristologia.

Adendo ao aluno: Procuramos pesquisar atenciosamente cada um dos materiais dentro da bibliografia exposta ao final desse material e fazer um compêndio sobre o assunto pesquisado variando os autores a fim de demonstrar abrangência da consulta e interação com os materiais propostos pela disciplina. Sendo assim, estaremos realizando nossos comentários sobre cada tópico abordado e caso haja necessidade, estaremos reproduzindo porções retiradas dos livros pesquisados destacando-os em ITÁLICO.

* A PESSOA DE CRISTO

Quanto à Pessoa de Cristo, as Escrituras afirmam que Ele é imutável: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hb 13:8). Cabe-nos enquanto teólogos buscar compreender esse grande mistério, dentro daquilo que nos é permitido.

Fazendo essa pesquisa, pude perceber que não foi, e creio que nunca será, tarefa simples explicar tais detalhes preciosos a qualquer tipo de ouvinte que estiver atento. Obviamente, depois de acurada pesquisa, estarei propondo com minhas palavras aquilo que pude extrair dos conteúdos propostos pelo seminário.

Uma vez que Deus é ETERNO, IMUTÁVEL e IMORTAL como ficaria o fato de Jesus ter literalmente estado submisso ao tempo e espaço, haja vista seu desenvolvimento normal desde a infância como homem integral (“crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.” Lucas 2:52), a encarnação do Logos (“e o Verbo se fez carne” Jo 1:14) e sua passagem pela morte “morreu pelos nossos pecados (1Co 15:3)” onde entre vários outros textos, há uma significativa necessidade de reflexão sobre perguntas que um opositor da fé cristão poderia nos fazer, por exemplo:

  • Se Deus não morre, como você diz que Jesus é Deus, sendo que Ele passou pela morte?”
  •  “Se Jesus é Homem, como vocês lhe prestam adoração tendo o mandamento de adorar somente a Deus?”
  • “Se Jesus é perfeitamente Homem e ao mesmo tempo perfeitamente Deus, Ele não deveria ser Duas Pessoas?”

Esses são alguns dos vários pontos fundamentais que levaram os teólogos ao longo da História a debater sobre a autenticidade e abrangência tanto da natureza humana quanto divina de Cristo.

Gradativamente a teologia, ao responder ponto a ponto, foi-se aprimorando até chegar num Dogma conclusivo: A HIPOSTÁTICA.

  • Podemos destacar a definição de ELWELL sobre a união Hipostática:

“Pode ser definida da seguinte maneira: na encarnação do Filho de Deus, uma natureza humana foi unida inseparavelmente, para sempre, com a natureza divina na única Pessoa de Jesus Cristo, mas as duas naturezas permaneceram distintas, íntegras e sem mudança, sem mistura nem confusão, de modo que a única Pessoa, Jesus Cristo, é vero Deus e vero homem.”

Walter ELWELL - Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã – Volume 3 – pág. 591

* AS NATUREZAS DE CRISTO

Um breve resumo da História relativa ao desenvolvimento dessa doutrina

Desde os primórdios da Igreja o Cristo tem sido amplamente apresentado como humano e divino. Ora Ele é declarado como o Filho do homem, mas também como o Filho de Deus.

Entretanto, desde então, muito se tem discutido quanto à sua natureza. Em parte, os EBIONISTAS (Ebion hb. significa “pobre”) – negavam a divindade de Cristo, considerando-o como um simples homem. Eles eram um grupo composto pelos simpatizantes do judaísmo dentro da igreja, que ao defender o monoteísmo, passaram a negar a divindade do Cristo, considerando que o Jesus homem foi qualificado em Seu batismo para ser o Messias pela descida do Espírito Santo sobre Ele.

Haviam também outros grupos na Igreja primitiva cuja doutrina sobre Cristo foi elaborada sobre linhas semelhantes. Os ALOGI (álogos ou alogianos), que rejeitavam os escritos de João por que entendiam que a sua doutrina do Logos está em conflito, com o restante do Novo testamento pois eles viam em Jesus apenas um homem, e ensinavam que Cristo desceu sobre Ele no batismo, conferindo-lhe poderes sobrenaturais. Essa era também a posição de Paulo de Samosata, principal representante dos monarquistas dinâmicos, que distinguia entre Jesus e o Logos.

Havia também os GNÓSTICOS que consideravam a matéria como inerentemente má. Esses, por sua vez, foram profundamente influenciados pela filosofia helênica com sua concepção dualista, em que a matéria é percebida como completamente oposta ao espírito, sendo assim, rejeitavam a ideia de uma encarnação, de uma manifestação de Deus em forma visível, por negarem um contato direto do espírito com a matéria. A maioria considerava Cristo como um Espírito consubstancial com o Pai. Conforme alguns, Ele desceu sobre o homem Jesus quando do Seu batismo, mas O deixou de novo antes da Sua crucificação; ao passo que, segundo outros, Ele assumiu um corpo meramente fantasmagórico.

O surgimento do SABELIANISMO deriva-se de Sabélio III d.C (também conhecido como modalismo, unicismo, monarquianismo modalista ou monarquianismo modal) é a crença unicista de que Deus se manifestou em carne e não em pessoas distintas.  Tertuliano deu a essa doutrina a alcunha de patripassianismo.

O ARIANISMO (Ário 325 d.C.) considerava a Cristo como o mais elevado dos seres criados, enquanto negava a sua divindade.

 Nesse período podemos destacar a teologia dos pais Alexandrinos e antignósticos, além de mencionar Tertuliano e Orígenes, fazendo observações quanto àquilo que posteriormente foi considerado “erros ou excessos” que cometeram na tentativa de impedir o avanço das heresias que circundavam a doutrina a respeito da natureza do Cristo.

Além disso, podemos destacar o embate onde Atanásio contestou a Ário e defendeu vigorosamente a posição de que o Filho é consubstancial com o Pai e da mesma essência do Pai, posição que foi oficialmente adotada pelo CONCILIO DE NICÉIA, em 325.

Após o estabelecimento da doutrina da divindade de Cristo, surgiu a questão quanto à relação mútua das duas naturezas de Cristo. Apolinário, numa concepção baseada na tricotomia, tomou a posição de que o Logos assumiu o lugar do espírito (pneuma) no homem. Mas, sua posição foi condenada pelo Concílio de Constantinopla, em 381.

A escola de Antioquia, exagerava na distinção das duas naturezas. Theodoro de Mopsuéstia e Nestório entendiam que a habitação do Logos nele era apenas uma habitação moral, dessa forma, eles acentuavam a completa humanidade de Cristo – viam nele um Mediador que consistia de duas pessoas e tiveram a oposição de Cirilo de Alexandria.

Eutico assumiu a posição de que a natureza humana de Cristo foi absorvida pela divina, ou que as duas se fundiram resultando numa só natureza, negando assim as duas naturezas de Cristo. Ambos os conceitos foram condenados pelo CONCÍLIO DE CALCEDÔNIA em 451 d.C. mantendo a crença na unidade da pessoa, como também na dualidade das naturezas.

  • BANCROFT sintetiza da seguinte maneira:

Houve muitas tentativas, nos primeiros séculos da era cristã, para explicar a doutrina das duas naturezas de Cristo. Passamos a mencioná-las ligeiramente. — O ebionismo negava a natureza divina de Cristo, reputando-o mero homem. — O cerintianismo mantinha que não houvera união das duas naturezas senão por ocasião do batismo de Jesus, assim estabelecendo a Divindade de Cristo como dependente de Seu batismo, e não por virtude de Seu nascimento. — O docetismo negava a realidade do corpo de Cristo, porque julgavam que Sua pureza não podia estar ligada com a matéria, que reputavam inerentemente má. — O arianismo considerava que Cristo era o mais exaltado dos seres criados, negando assim Sua Divindade e interpretando erroneamente Sua humilhação temporária. — O apolinarianismo concedia a Cristo apenas duas partes humanas, negando que tivesse alma humana, pois reputavam esta pecaminosa. — O nestorianismo negava a união das naturezas humana e divina, fazendo de Cristo duas pessoas. — O eutiquianismo afirmava que as duas naturezas de Cristo se uniam em uma só, que era predominantemente divina, ainda que não no mesmo plano da natureza divina original.

A negação da verdadeira natureza física de Cristo é um dos sinais do espírito de anticristo (1 Jo 4.2,3)”

BANCROFT, E. H. Teologia Elementar Doutrinária e Conservadora.

Imprensa Batista Regular, SP – (pág. 109)

* A HUMANIDADE de Cristo

Tanto a humanidade do Cristo quanto sua divindade deve tornar-se tema amplamente explorado durante as exposições bíblicas e teológicas para a Igreja. É evidente que, muitos dos erros teológicos do passado ocorreram devido à superexposição de apenas um dos aspectos da natureza do Cristo. Por exemplo: ao tentar defender valorosamente a natureza humana do Messias, alguns teólogos acabaram não dando a mesma importância à sua divindade, deixando assim margens para que sua deidade fosse questionada e, até mesmo, em alguns casos, ignorada ou até mesmo negada dando a entender que o Cristo não passava de um homem comum que recebeu os poderes advindos do Espírito Santo no batismo e que somente isso lhe atribuía autoridade sobre o mundo físico e espiritual. Entre eles podemos destacar os Ebionitas, os Alogi, e os Monarquistas dinâmicos que tinham Paulo de Samosata como seu principal representante. Dessa forma, acabaram por ver o Cristo apenas como “um homem cheio do Espírito Santo”. Evidentemente isso não faria jus ao Cristo que as Escrituras atestam ser o nosso Senhor e Salvador (Lc 2:22; 2Pe 1:11, 2:20, 3:2,18; Jd 1:25).

  • O teólogo Lewis Sperry CHAFER afirma que “A Expectativa do Antigo Testamento era a de um Messias Humano” e apoia sua afirmativa em dois pontos fundamentais:

1. Os TIPOS. Dos mais de cinquenta tipos de Cristo encontrados no Antigo Testamento, a maioria direta ou indiretamente, apresenta, entre outros aspectos, a humanidade de Cristo. Está óbvio que, onde o sangue é derramado, um corpo sacrificado, ou uma pessoa típica aparece, o elemento humano está indicado.

2. PROFECIA. Uma pequena seleção do conjunto de textos proféticos deve ser suficiente: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3.15). "Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel" (Is 7.14) O fato de uma virgem conceber e gerar um filho é coisa humana; todavia, esse filho seria Emanuel, que interpretado significa "Deus conosco". "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno e Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos exércitos fará isso" (Is 9.6,7). O patriarca Jó estava cônscio de uma distância insuperável entre ele e Deus. O seu desejo era que houvesse um "árbitro" que colocasse a sua mão sobre Deus e o homem. Esse foi o seu clamor por um mediador: "Porque ele não é homem, como eu, para eu lhe responder, para nos encontrarmos em juízo. Não há entre nós árbitro para pôr a mão sobre nós ambos" (Jó 9.32,33).

CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. (pág 376-377)

Imprensa Batista Regular do Brasil. São Paulo 1986.

  • BANCROFT faz uma análise comparativa interessante que nos vale a pena refletir:

O Auto-Esvaziamento de Cristo

O auto-esvaziamento (kenosis) de Cristo, que foi um ato voluntário, consistiu na desistência do exercício independente dos atributos divinos. Para ilustrar: os seres finitos têm o poder, até certo grau, de restringir os limites da consciência. Por ato da vontade, podemos excluir muitas coisas de nossas mentes. Esforçamo-nos por esquecer algo, e até certo ponto somos bem sucedidos. Quando Mary Reed foi para a colônia de leprosos para viver e morrer, não pôs ela uma espécie de “kenosis” em sua consciência? Não renunciou ela voluntariamente muito do conhecimento dos prazeres do movimentado mundo exterior? Não se pode dizer outro tanto de David Livingstone e Dan Crawford, que se dirigiram para a mais distante África a fim de trabalhar entre os africanos? São ilustrações inadequadas, mas nos fornecem alguma indicação das possibilidades de auto-renúncia por parte do Filho de Deus. Como podia ser renunciado o exercício independente dos atributes divinos, ainda que por um breve período, seria inconcebível, se estivéssemos considerando o Logos ou Palavra de Deus conforme Ele é em Si mesmo, assentado sobre o trono do universo. A questão torna-se um tanto mais fácil quando nos relembramos que não foi o Logos como tal, mas antes, o Deus-homem, Jesus Cristo, em quem o Logos se submeteu a essa humilhação, possibilitando assim a autolimitação. South diz: "Uma fonte pode estar quase transbordando de cheia; mas, se extravasa apenas por um cano de pequeno diâmetro, a corrente pode ser pequena e desprezível, igual à medida de seu condutor.”

BANCROFT, E. H. Teologia Elementar Doutrinária e Conservadora.

Imprensa Batista Regular, SP – (pág. 114-115)

* A DIVINDADE de Cristo

  • BANCROFT citando outro teólogo sobre a clareza divindade de Cristo no novo testamento:

“O homem que pode ler o Novo Testamento sem ver que Cristo se apresenta como sendo mais que mero homem, pode também olhar por todo o céu sem nuvens ao meio-dia, sem ver o sol.” — Beiderwolf.

BANCROFT, E. H. Teologia Elementar Doutrinária e Conservadora.

Imprensa Batista Regular, SP – (pág. 116)

Talvez seja esse um dos pilares da fé cristã mais alvejados durante toda a História da Igreja; inclusive atualmente diante dos fortes ataques de vários grupos judeus messiânicos que, embora digam reconhecer a Jesus como o Messias(Cristo), não O reconhecem como DEUS, negando assim que Ele seja objeto de adoração levando muitos ao abandono da fé na Divindade de Cristo Jesus.

Havia entre os Gnósticos aqueles que também faziam essa disparidade quanto à dupla natureza do Messias, diante de um dualismo onde a matéria é considerada essencialmente perversa, concluíam que o Cristo deveria ser plena e unicamente divino e assim acabavam por negar sua natureza humana.

Sendo assim, os gnósticos criam que o corpo físico de Jesus Cristo não era real, mas possuía apenas uma “aparência” com o corpo humano. Concluíam então o Espírito Santo descera sobre Ele no seu batismo e o abandonara antes da crucificação. Ambas as concepções destroem não só a humanidade, mas também invalidam a expiação, pois pelas Escrituras, Jesus, chamado Cristo, tinha que ter sido não somente Deus verdadeiro, como igualmente um verdadeiro homem (integralmente real) que verdadeiramente padeceu e morreu na cruz para que seu sacrifício vicário pelo pecado fosse admissível (Hebreus 2:14-17). Portanto, qualquer concepção bíblica de Jesus deve necessariamente afirmar tanto a Sua humanidade completa quanto a Sua divindade completa.

* A HIPOSTÁTICA

Diante do exposto anteriormente, vemos que foi necessário discutir amplamente a questão das duas naturezas de Cristo.

Segundo ELWELL a doutrina da união hipostática, exposta oficialmente pela primeira vez na definição de fé produzida pelo CONCÍLIO DE CALCEDÔNIA (451), diz respeito à união entre as duas naturezas (dyo physes), da divindade e da humanidade, na única hypostasis pessoa de Jesus Cristo.

Walter ELWELL - Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã – Volume 3 – pág. 591

Embora esse dogma foi perpetuamente tutelado oficialmente pela Igreja, esse tema recebeu várias críticas até que se consolidasse. Isso evidentemente ocorreu devido à complexidade do assunto em questão, uma vez que talvez se trate do maior mistério descrito nas Escrituras.

  • LANGSTON, em sua dissertação onde apresenta provas da união das duas naturezas, divina e humana, na Pessoa de Jesus, discorre sobre o assunto da seguinte maneira:

“Jesus não era duas pessoas, nem tampouco tinha uma personalidade dupla. Ele era uma Pessoa, mas dotada de duas naturezas: uma divina, e outra humana. Como sabemos, o Verbo uniu-se com a humanidade pela encarnação. A natureza humana não podia ter personalidade naquela época. A personalidade humana só começou a existir quando a natureza humana começou a ser uma pessoa. E esta natureza humana crescia junto com a natureza divina. Nunca houve, portanto, duas personalidades em Cristo Jesus. Neste ponto não há outra pessoa semelhante a ele.”

LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. JUERP.RJ.  112

  • Lewis Sperry CHAFER, afirma:

“Quatro fatores vitais constituem a estrutura desta doutrina específica: a) sua deidade, b) sua humanidade, c) a preservação completa de cada uma dessas duas naturezas sem confusão ou alteração e d) sua unidade.”

CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. (pág 390)

Imprensa Batista Regular do Brasil. São Paulo 1986.

Diante dessa estrutura, estarei dizendo como compreendi tais pontos a partir dessa pesquisa.

DEIDADE – trata-se de defender a Divindade do Cristo em todos os aspectos, mesmo após a encarnação. Sem perda ou mutação.

  • Na seção sobre Cristologia, ao citar a divindade de Cristo em sua obra TEIXEIRA diz:

“A divindade de Cristo é positiva e abundantemente ensinada nas Escrituras. Ele é expressamente chamado Deus nos seguintes passos: Jo. 1:1; Rom. 9:5; Tito 2:13; Heb.1 :8; 1 Jo. 5:20. "A forma de Deus", que lhe é atribuída em Filp. 2:6, é a natureza e o ser de Deus. Em Jo. 1 :18, Ele é chamado o unigênito de Deus. Ele é apresentado como possuindo antes de encarnar-se todos os atributos divinos, mantendo-os no essencial em seu estado de humilhação e entrando, depois disso, na plena posse e exercício dos mesmos quando, exaltado, voltou à ''gloria que tinha com o Pai antes da criação do mundo." (Jo. 17:5).

TEIXEIRA, Alfredo Roges – Dogmática Evangélica (pág. 178-179)

HUMANIDADE – embora trata-se de um “mistério”, a encarnação é um milagre real (Jo 1:1). Não se pode negar que o Cristo encarnado refere-se a um Homem perfeito (1 Tm 2:5) em todos os aspectos da natureza humana, porém é necessário destacar que, sem pecado (Hb 4:15). As Escrituras atestam seu desenvolvimento humano ao dizer que: “crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.” Lucas 2:52) entre vários outros trechos.

PRESERVAÇÃO COMPLETA DE CADA UMA DESSAS NATUREZAS – não se pode admitir alterações em qualquer grau tanto em sua natureza divina quanto humana uma vez que fica claro tanto sua divindade quanto humanidade completa. Diante disso, podemos perceber qual foi o caminho trilhado pela Igreja diante desse tema ao longo da História, uma vez que não faltaram críticos à integridade de ambas as naturezas.

UNIDADE – a questão aqui não se trata em defender quaisquer umas das duas naturezas particularmente, mas em mantê-las inteiras, perfeitas e indistintamente unidas sob uma só pessoa. Para tal, não devemos confundir “natureza” com “pessoa”, caso contrário, estaremos dividindo o Cristo em duas personalidades. O Logos (Verbo) já era eternamente uma pessoa e não recebeu consigo uma pessoa humana. O que o monofisismo (monos, “único”, e physis, "natureza”) acabou criando foi a ideia de que, na encarnação, havia uma única natureza divina revestida de carne humana.

  • Tratando do termo monofisismo, ELWELL diz que:

“Os monofisitas tendiam a dividir-se em dois grupos principais: os julianistas, que sustentavam a imortalidade e a incorruptibilidade do corpo encarnado de Cristo, e os severianos, mais ortodoxos, que rejeitavam o conceito eutiquiano de que o humano e o divino foram completamente misturados na encarnação. No remanescente dos jacobitas sírios e nas igrejas coptas e etíopes (e até certo ponto na igreja armênia) ele sobrevive até ao tempo presente.”

Walter ELWELL - Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã – Volume 3 – pág. 548

Contudo, no Concílio de Calcedônia em 451 d.C. ficou estabelecida a doutrina que defendia a Hipóstase que consiste na união das duas naturezas divina/ humana unidas, sem confusão, sem conversão, sem divisão, sem separação, numa só pessoa; Cristo Jesus.

* OS ESTADOS DE CRISTO

De modo geral a teologia faz distinção entre dois momentos importantes na Missão do Messias e assim a denomina como “os dois estados de Cristo”, sendo eles: A Humilhação e a Exaltação.

Geralmente se divide esse duplo estado. O primeiro é didaticamente dividido em pelo menos quatro aspectos: encarnação, sofrimento, morte e sepultamento, e dependendo da visão teológica, haverá também um quinto aspecto: descida ao Hades; já no segundo estado, encontramos pelo menos quatro aspectos: ressurreição, ascensão e retorno em Glória.

  • LANGSTON conclui sobre os estado de Cristo da seguinte maneira:

“Resumindo, diremos que as épocas da humilhação de Jesus foram: quando se fez carne, durante a vida na carne, e quando morreu na cruz. As épocas da exaltação de Jesus são as seguintes: Primeiro, a sua ressurreição; segundo, a sua ascensão.”

LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. JUERP.RJ.  114

?* HUMILHAÇÃO

Na Cristologia, o estado de HUMILHAÇÃO passa por pelo menos quatro aspectos:

(1) encarnação,

(2) sofrimento,

(3) morte

(4) sepultamento.

A HUMILHAÇÃO de Cristo ocorre quando o Verbo preexistente, que era Deus na eternidade, tornou-se carne “encarnação” (Jo 1:1,14), nascido de mulher, nascido sob a lei (Gl 4:4), se fez pobre (2Co 8:9), embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu “sofrimento” (Hb 5:8), não agradou a Si mesmo, mas foi injuriado (Rm 15:3), era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabia o que é padecer, e não fizeram caso dele (Is 53:3), em todas as coisas tornou-se semelhante aos seus irmãos (Hb 2:17, Rm 8:3), por isso pode compadecer-se das nossas fraquezas, pois Ele foi tentado, mas sem pecado (Hb 4:15; Mt 4:1; Mc 1:12,13) esvaziando-se a Si mesmo,  assumindo a forma de servo, tornando-se sem semelhança de homens, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz  (Fp 2:5-8), morreu pelos nossos pecados “morte” (1Co 15:3; Is 53:8,10), foi sepultado “sepultamento” (1Co 15:4; Is 53:9; Mt 27:59,60).

* EXALTAÇÃO

O estado de Exaltação de Cristo não consiste em receber uma glória a qual Ele não possuía anteriormente na eternidade (Jo 17:5) num retorno a Sua posição antes da encarnação.

BERKOF apresenta o estado de exaltação  de Cristo em quatro estágios:

(1) ressurreição

(2) ascensão

(3) sessão à destra de Deus

(4) regresso físico de Cristo

Assim, a ressurreição é o retorno à vida dAquele que foi morto e desfruta da glória de ter vencido a morte (Ap 1:18; 2:8; 5:6,9,12; 13:8); a ascensão é a sua subida aos céus (Lc 24:50,51; Jo 6:62; 16:28;  At 1:2,9,22); a sessão significa estar assentado à direita de Deus (Mc 16:19; At 7:55; Ef 4:8-12; Hb 1:3,13); regresso fala do seu retorno visível e glorioso (Mc 14:62; Lc 21:27; At 1:10-11; Ap 1:7).

Trecho pesquisado para basear meu comentário acima:

“Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1990, p. 340-341, 345,346

* OS OFÍCIOS DE CRISTO

A teologia tem dividido os ofícios de Cristo em três: Profeta, Sacerdote e Rei. Nas Escrituras, o povo ouvia a Deus por meio do Profeta, era representado diante de Deus pelo Sacerdote, e era governado pelo Rei. Teologicamente podemos afirmar que, em Cristo Jesus, os três ofícios foram reunidos, e Ele mesmo é o Profeta que soluciona o problema da ignorância do homem, fornecendo-lhe conhecimento (Dt 18:15; Lc 4:18-21; 13:33; At 3:22), como Sacerdote Ele soluciona o problema da culpa do homem, fornecendo-lhe justiça (Sl 110:4; Hb 3:1; 4:14-15; 5:5-6; 6:20; 7:26; 8:1) e como Rei Ele soluciona o problema da fraqueza e da dependência do homem, fornecendo-lhe poder e proteção (Is 9:6-7; SI 2:6; 45:6; 110:1-2; Lc 1:33; Jo 18:36-37; Hb 1:8; 2 Pe 1:11; Ap 19:16). Portanto Ele é o mediador incomparável, completo e perfeito (1 Timóteo 2:4).

  • LANGSTON faz um breve comentário sobre os três ofícios de Cristo:

“Como profeta, Jesus revelou da maneira mais completa a vontade de Deus ao mundo; como sacerdote, fez o sacrifício perfeito para expiação do pecado; e, como Rei, estabeleceu o seu Reino e começou a reinar no coração dos homens.”

LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. JUERP.RJ.  114

* PROFÉTICO

Não há a menor dúvida quanto ao ofício profético de Cristo. No Pentateuco, Moisés já havia declarado sob inspiração divida que o Senhor levantaria um “profeta” semelhante a ele do meio de seus irmãos (Dt 18:15-19); na nova aliança Pedro declara que essa profecia havia se cumprido em Cristo Jesus (At 3:22). Nos evangelhos encontramos várias outras referências a Cristo como Profeta (Mt 14:5, 21:11,46; Mc 6:4; Lc 4:18-21; 13:33; Jo 4:19,44; 6:14).

A função do profeta no Antigo Testamento era falar em nome de Deus. O próprio Jesus revela que traz mensagem do Pai (Jo 8:26-28; 12:49-50).

* SACERDOTAL

Desde o princípio do pacto no Sinai, os sacerdotes somente poderiam vir da tribo de Levi e, como Cristo veio pela tribo de Judá, sua ordem sacerdotal evidentemente é outra, diferente, e é fundamental salientar que o ofício sacerdotal de Cristo é infinitamente superior à ordem levítica. Na epístola aos Hebreus descobrimos que Jesus pertence à ordem sacerdotal de Melquisedeque, que por ser tão superior à ordem levítica, até mesmo os levitas deram dízimo à Melquisedeque por meio de seu antepassado Abraão (Hb 7). Jesus é descrito com o mais alto nível dentro da ordem sacerdotal, aqui Ele é declarado Sumo Sacerdote nos céus à direita de Deus (Hb 8:1). Vários versos atestam o ofício messiânico como Sacerdote (Sl 110:4; Hb 3:1; 4:14-15; 5:5-6; 6:20; 7:26; 8:1).

Enquanto o profeta representava Deus diante dos homens, a função do sacerdote era uma pessoa divinamente escolhida e consagrada para representar os homens diante de Deus. Além disso, cabia ao sacerdote interceder pelo povo e oferecer as ofertas e os sacrifícios a Deus (Hebreus 8:3).  Tais sacerdotes eram imperfeitos, e é exatamente por esse motivo que além de oferecer sacrifícios pelo povo, também deveriam oferecer por seus próprios pecados (Hb 5:1-3). Assim, ofereciam sacrifícios várias vezes (Hb 10:11), mas Cristo, sendo o Sumo Sacerdote perfeito, ofereceu a Si mesmo como sacrifício perfeito um só vez (Hb 10:12-14) embora exerceu a intercessão em seu ministério terreno (João 17:1-26), após o sacrifício no calvário Ele intercede continuamente por nós diante de Deus (Hebreus 7:25; 9:24).

* REAL

O testemunho bíblico sobre o ofício real do Messias é abundante: Vários profetas falaram do rei (Is 9:6,7; Sl 45:6(citado em Hb 1:8); Isaías 11:1-9; Zc 14:16,17; etc); Os magos vieram a Belém visitar “o rei dos judeus” (Mt 1:2), na festa de Tabernáculos Ele é identificado com o Rei de Israel profetizado por Zacarias (Zc 9:9; Mt 21:5; Lc 19:37,38; Jo 12:13-15); reconhecido como o Rei de Israel por Natanel (Jo 1:49); Pilatos relata que os judeus estavam acusando o rei deles (Mc 15:9-14), na crucificação e sobre sua cabeça estava a acusação “Este é Jesus, o Rei dos Judeus” Mt 27:37), no Armagedom Ele aparece como Rei dos reis (Ap 17:14; 19:16) identifica-se como o Rei que julga as nações (Mt 25:34,40,41), declara-se rei diante de Pilatos (João 18:36,37). Podemos citar ainda alguns dos vários outros textos que falam do reino do Messias – (Salmos 2:6; 24:6-10; 110:1-2; Lucas 1:32,33; Efésios 1:20-22; Hebreus 1.8; 2 Pedro 1:11; Apocalipse 3:21; 11:15; 19:16).

FELIPE MIRANDA OLIVEIRA MORAIS – 23/JANEIRO/2019

HERESIAS SOBRE CRISTO[1]

Heresias surgidas ao longo dos séculos:

HERESIA

SÉCULO

HUMANIDADE

DIVINDADE

Ebionismo

I

Afirmada

Negada

Docetismo

II

Negada

Afirmada

Cerintianismo

II

Afirmada

Negada

Monarquismo - Sabelianismo

III

Negada

Afirmada

Arianismo

IV

Reduzida

Mutilada (deu base à origem dos “Testemunhas de Jeová” e outros que dizem ser Jesus um “deus” menor)

Apolinarianismo

IV

Reduzida

Afirmada

Nestorianismo

V

Afirmada (mas dividiam a pessoa de Cristo)

Afirmada

Eutiquianismo (Monofisismo)

V

Reduzida

Reduzida

Monotelismo

VI

Reduzida

Reduzida

Adocianismo

VIII

Afirmada

Negada

Socinianismo

XVI

Afirmada

Negada

Liberalismo

XVIII-XIX

Afirmada

Negada

Unitarianismo

XIX

Afirmada

Negada

Neo-ortodoxismo

XX

Afirmada

Extremamente complexo para ser definido

Liberalismo contemporâneo

XX

Afirmada

Negada

VERDADE

SÉCULO

HUMANIDADE

DIVINDADE

Ortodoxia

I- Até a Eternidade

(Cl 1:19;2:9)

Perfeitamente Homem

Perfeitamente Deus

BIBLIOGRAFIA A SER PESQUISADA:

• MACDOWEL, Josh. As Evidências da Ressurreição de Cristo.

• BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Luz para o Caminho.

• MILNE, Bruce. Estudando as Doutrinas da Bíblia. ABU.

• ERIKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. Vida Nova, São Paulo 1997.

• CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. Imprensa Batista Regular do Brasil. São Paulo 1986.

• THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. Editora Imprensa Batista Regular. 1a edição, São Paulo.

• ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. Ed. Vida, SP.

• BANCROFT, E. H. Teologia Elementar Doutrinária e Conservadora. Imprensa Batista Regular, SP.

• LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. JUERP.RJ.

• TEIXEIRA, Alfredo Roges. Dogmática Evangélica. Ed. Atena. SP.

• BRAATEN, Carle. Senson, Robert. W. Dogmática Cristã. Ed. Sinodal. São Leopoldo RS.

 

Material desenvolvido por: Felipe Miranda Oliveira Morais.

 

Colaboradores:Rafael Mikio Ikeda Naka 


[1] PEDROSO, Claudemir. Manual do Obreiro. São Paulo, Mundial Editora/Editora Eureka, 2015, pág.132

* Esperamos que esse material possa servir de estímulo aos estudantes das Sagradas Escrituras e de auxílio aos professores e alunos do Curso de Teologia!

Amamos o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo "Porque nele habita corporalmente toda a Plenitude da Divindade" - Colossenses 2:9

6 Comments on “CRISTOLOGIA – A Doutrina da Pessoa de Cristo”

  1. Obrigado Pastor por compartilhar o conhecimento das escrituras e do Senhor.
    Tenho crescido muito no conhecimento através deles.
    Deus abençoe!!
    Um abraço

  2. Muito bom, perfeito.
    Parabéns pela dedicação
    as escrituras e à DEUS.

    Obrigado pastores.

  3. Bom dia. Muito Bom os artigos Pr. senti falta nessa lista de duas Heresias muito importantes : Gnosticismo e Marcionismo. Elas entrariam nessa lista ou não fazem parte ?

  4. Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo esteja sempre convosco e continue sempre lhe abençoando, pra nos abençoar sempre com estudos como esses, que muito tem me edificado……. Louvado é o nome do meu Deus e Senhor e salvador Jesus Cristo !!!

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